sábado, 4 de outubro de 2014

AMERICANOS passam a ser CONTROLADOS em CABO VERDE por causa do ebola

O Governo de Cabo Verde anunciou hoje que restringiu a entrada de cidadãos norte-americanos no arquipélago devido ao surgimento de um caso de Ébola nos Estados Unidos, cumprindo assim uma resolução da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O anúncio foi feito hoje pela própria ministra da Saúde cabo-verdiana,  Lima, para dar conta das decisões tomadas a este respeito no Conselho de Ministros de quinta-feira.
As portas de entrada portuárias e aeroportuárias aos norte-americanos não residentes vão, porém, manter-se abertas, embora enquadradas na análise caso a caso, tendo em conta as alterações feitas pelo Governo de Cabo Verde, que as permitirá em caso de interesse público, de corredores humanitários e emergência médica.
"Os Estados Unidos passaram a estar incluídos na lista de países afetados pelo Ébola, já é uma informação pública, e fica assim submetido à resolução. Vamos dar orientações nesse sentido às autoridades portuárias e aeroportuárias", afirmou Cristina Lima, salientando que não haverá supressão das ligações aéreas entre os dois países.
"Tal como tem acontecido noutros casos (Senegal), não há supressão de voos e nem há restrições de entrada a nacionais e a estrangeiros residentes", que poderão circular normalmente, sublinhou, lembrando a existência de vários voos semanais entre a Cidade da Praia e Boston (Massachusetts).
Cristina Lima indicou, por outro lado, que Cabo Verde e os Estados Unidos estão já a preparar um corredor humanitário.
A ministra da Saúde cabo-verdiana lembrou que, com o surgimento de um caso nos Estados Unidos, "um país de outro continente", conclui-se que há uma evolução da epidemia de ébola, "tal como já se tinha projectado".
"Com esta resolução, (os norte-americanos) poderão vir apenas por interesse público, via corredores humanitários ou por razões que se justifiquem. Enquanto a OMS não declarar que sai (da lista de países afetados), não seremos nós a introduzir regras. São critérios estritamente sanitários e não políticos ou diplomáticos", insistiu.
Sobre o Senegal, que registou um caso suspeito que acabaria por não se confirmar, Cristina Lima disse ter informações de que a OMS irá retirá-lo da lista de países afectados pelo Ébola a 09 deste mês, passados que estarão, nessa altura, 42 dias desde a data da última confirmação.
Cabo Verde cumpriu a resolução da OMS e reduziu de cinco para um os voos de e para Dacar, enquanto a companhia aérea senegalesa optou por suspender todas as ligações à capital cabo-verdiana, facto que levou Cristina Lima a recusar a ideia de que tal constituiu uma retaliação.
"Não é (retaliação). Não houve, da nossa parte, uma decisão de suspender os voos. Mas quando temos restrições e aconselhamentos para não viajar, há um problema económico. Cabo Verde reduziu de cinco para um (o número de voos para Dacar) e estamos preocupados com o impacto económico. O balanço que deve ser feito é entre o risco e a fluidez da economia. Temos conseguido algum equilíbrio", explicou.
"Mas a partir do momento em que o Senegal saia da lista, estaremos satisfeitos por voltarmos à normalidade com o Senegal, porque é o país com quem temos mais fluxos. Também tivemos prejuízos. Estamos convencidos de que continuamos com soluções equilibradas, coerentes e ponderadas", concluiu.
Segundo a OMS, o número de vítimas mortais da epidemia de Ébola, sobretudo na África Ocidental (Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa), já ultrapassou os três mil, cerca de metade dos 6.500 casos recenseados.
Cabo Verde não registou, até agora, qualquer caso suspeito ou de doença.
Lusa

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