quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Recordar é (re)viver - DISCURSO DE POSSE DO PRESIDENTE ORLANDO VIEIRA BALLA


                                                                    


No dia 14 de Agosto de 2012, ouvimos o discurso do nosso actual presidente da Câmara Municipal, ORLANDO VIEIRA BALLA, e agora que nos aproximamos, a mesmo poucos dias e horas, dos dois anos deste acto, que como qualquer outro do género, é deveras memorável, relembro aqui o discurso, que peço permissão para reproduzir tão fiel quanto possível, aliás ipsis verbis:

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“Na hora em que inicio as nobres funções de Presidente da Câmara Municipal da Brava, quero saudar a todos os cidadãos desta ilha, residentes e na diáspora, os que votaram em mim e os que optaram por um diferente sentido de voto.
A todos quero neste momento reafirmar o que sempre disse ao longo da entusiástica campanha eleitoral, ou seja, o de que serei o Presidente de todos os brevenses e a todos valorizarei como munícipes dignos desta terra, que precisa incessantemente do engajamento e esforço de todos os seus filhos. Continuarei pois, fiel ao lema da campanha: Brava em primeiro lugar.
O programa que vos apresentei durante a campanha eleitoral e que mereceu a confiança da maioria dos eleitores é para cumprir. Reafirmo aqui e agora, de forma solene, o meu firme engajamento com cada um dos compromissos eleitorais que assumi perante as populações de todos os povoados da ilha de Eugenio Tavares. É com espírito de amor e de missão que Nhô Tatai dedicou a esta ilha, que irei enfrentar este difícil mas aliciante desafio de retribuir aos bravenses a grandeza de outrora e às novas gerações uma nova esperança de um futuro de prosperidade para todos.
Gostaria igualmente, de forma sincera, de aqui prestar homenagem a todos os anteriores Presidentes da Câmara Municipal da Brava, que com a sua abnegação, colocaram o seu esforço pessoal e familiar e a sua dedicação a favor da causa do desenvolvimento desta ilha, desiderato sucessivamente sonegado pelos poderes públicos da Republica. Uma menção especial para o saudoso Presidente e Deputado Nacional, José Maria Barros, a quem peço um minuto de silêncio à sua memória.
Este é também um momento de júbilo para toda a diáspora cabo-verdiana e sobretudo para todos os bravenses residentes nos Estados Unidos da America, que de forma directa e indirecta, contribuíram para que o momento que estamos a presenciar fosse uma realidade. Um muito obrigado a todos os meus patrícios da diáspora.
Não podia deixar neste particular, de manifestar uma profunda gratidão pela aposta feita na minha pessoa pelo Movimento para a Democracia, e sobretudo pelo empenhamento pessoal no nosso projecto do seu Presidente, o Dr. Carlos Veiga. A minha eleição provou que é possível a participação da diáspora no processo político cabo-verdiano, dando cada vez corpo à idéia de nação global creola.
Um processo desta natureza exige o engajamento de muita gente e um espírito de equipa muito forte. Confesso-vos, muito sinceramente, que sem o apoio político de dirigentes e militantes do partido que suportaram a minha candidatura, confiança de cidadãos anônimos e o apoio dos meus familiares em momentos particularmente difíceis, onde era necessária a tomada de decisões inadiáveis, não seria possível o sucesso eleitoral alcançado a 1 de Julho. 
Quero confessar-vos a todos que estou a cumprir um sonho antigo: o de servir a minha terra. Sempre disse e repito: servir a Brava nunca será um sacrifício, mas sim uma honra. É com esta motivação e espírito de missão que colocarei todas as minhas energias e modestas competências à disposição das nossas gentes, sobretudo aquelas que mais necessitam da intervenção dos poderes públicos. Fá-lo-ei com sentido de justiça e de equilíbrio. Não haverá lugar para discriminações. O meu partido será sempre a Brava. Aliás, somos poucos para a árdua e desafiante tarefa que nos espera.
Os bravenses, com o civismo que lhes é peculiar, foram às urnas no passado 1 de Julho e deram-nos, no contexto político daquele momento, uma clara e inequívoca vitória, para a Câmara e Assembleia Municipal, liderada pelo companheiro David Lima Gomes, com quem terei todo o prazer e abertura para em conjunto encontrarmos as melhores soluções para a ilha, relação que será alicerçada no respeito escrupuloso pelo papel e competências de cada órgão.
Esta votação de 53,3% simboliza a confiança da população da Brava no projecto que apresentamos durante a campanha eleitoral e uma manifestação clara do desejo de mudança de rumo. Assumimos esta vitória com grande sentido de responsabilidade, porquanto somos desafiados a inaugurar uma nova forma de se fazer política na ilha e a introduzir novos modelos de gestão municipal, baseados na transparência e na priorização das realizações e num maior respeito e aproximação aos munícipes e aos seus problemas. Saberemos, pois, em cada momento, interpretar o genuíno sentido de voto dos bravenses.
Os enormes desafios que nos esperam exigirão o esforço e comprometimento de todos. Não podemos defraudar as legítimas expectativas e aspirações de uma ilha perdida no tempo e ansiosa por um novo amanhecer. Será essencial o espírito de responsabilidade e de missão de todos os eleitos municipais e de todos aqueles que participarão na gestão quotidiana do município.
Na árdua tarefa de recuperar a auto-estima dos bravenses e alavancar a economia da ilha quero contar com o forte engajamento do Governo da Republica. Os parcos recursos de que dispõe a autarquia e o atraso estrutural da ilha exigirão, sobretudo nesta primeira fase, de uma consistente e permanente solidariedade do poder central. A Brava precisará ainda da necessária discriminação positiva. Estou seguro que o resto do país compreenderá essa atitude do Governo.
O sentido de voto dos eleitores nestas eleições autárquicas apela a uma maior complementaridade entre o poder central e local. Sempre que ela se verificar ganharão as comunidades locais e a melhoria dos indicadores nacionais, como o combate ao desemprego, à pobreza e às crônicas assimetrias sociais e regionais.
Nesse sentido e com este espírito de cooperação em benefício da Brava e dos bravenses, queira aceitar, Senhora Ministra, representante do Governo, ser portadora do meu convite que aqui e agora dirijo à sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro, Dr. José Maria Neves para, assim que poder, visitar a ilha Brava.
No quadro das parcerias para o desenvolvimento relançaremos a cooperação descentralizada e com organizações não-governamentais, sempre no quadro da política global do país em matéria de política externa. Os empresários nacionais, sobretudo os naturais desta ilha, serão chamados para a construção de parcerias em diversos projectos de desenvolvimento local.
Mas, como disse ao longo da campanha eleitoral o nosso principal parceiro será a população da Brava.
Como afirmei no inicio desta intervenção os compromissos da campanha eleitoral são para cumprir.
Assim a nossa visão da progressiva transformação da Brava num ponto turístico de qualidade e de referência, alavancando assim a economia local, nos remete a importantes intervenções nos vários quilómetros de caminhos vicinais que atravessam a ilha;  na formação dos nossos jovens em todos os domínios;  no saneamento e embelezamento das nossas ruas e aldeias; no incentivo e promoção de parcerias público-privado;  na valorização de todo o empresariado local;   na criação de condições físicas e de promoção dos aspectos culturais característicos da Brava, e conjuntamente com o Governo da República na melhoria das condições de prestação de serviços de saúde e na materialização do tão almejado e fundamental ligação aérea da ilha com o resto do país.
O aumento e a diversificação da produção agrícola, dos produtos pecuários e da pesca são desafios visando o abastecimento e a sustentabilidade do mercado local e a colocação desses produtos nos principais centros urbanos do país. 
A manutenção do nível de segurança que até agora temos vivenciado deve ser tarefa de todos os actores sociais de entre os quais a Câmara Municipal deve desempenhar um papel importante. 
A implementação de políticas facilitadoras e incentivadoras de uma maior e diversificada participação da nossa comunidade emigrada no processo de desenvolvimento da Brava será uma prioridade.
As miseráveis condições de habitabilidade de muitas famílias bravenses deve ser motivo de grande preocupação por parte de todos os poderes públicos.
Assim sendo, inauguraremos uma nova etapa no combate a esta triste realidade com a implementação de um programa de construção de habitações sociais. Tudo faremos para que os programas do Governo tais como "Casa para Todos" se efective, também, na Brava.
Todas os apoios que a Câmara atribuirá será baseado em critérios transparentes e de conhecimento prévio dos potenciais beneficiários. Premiaremos e valorizaremos os que se dedicam mais, e são melhores e são oriundos das famílias mais carenciadas.
Estou seguro que com o empenhamento de todos, a nossa visão será uma realidade dentro de poucos anos. Não deixaremos a todo o tempo de falar verdade aos bravenses. É com verdade e realismo que iremos estabelecer o pacto de confiança com as populações e parceiros de desenvolvimento.
Soubemos no passado enfrentar e vencer as adversidades, como a luta pela sobrevivência, pela liberdade e pela democracia. Hoje somos convocados a vencer os desafios do desenvolvimento, como a luta contra a pobreza, o desemprego ou o isolamento. É com espírito aventureiro, mas de uma grande humildade e amor por esta ilha, que venceremos o futuro, garantindo uma melhor qualidade de vida e prosperidade para as gerações mais novas.
Saberemos seguramente, substituir o desânimo pela esperança e devolver as nossas gentes a alegria e a vontade de viver na sua terra. Será um desafio permanente para todos nós.
Que DEUS nos abençoe, nos guie e nos proteja.
Unidos Venceremos.
Um muito obrigado pela vossa presença e pela vossa atenção.
Orlando Vieira Balla   
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Neste dia, ou melhor, naquele, lançou-se um sinal claro de que se pretendia dar início a uma nova era, que enquanto bravenses auguramo!


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