Por suposta “perseguição política” noticia o jornal Asemana terá começado esta polemica quando Domingos Rosa encaminhou ao Ministério Público uma queixa de uma mulher contra um amigo de José Manuel Sanches. A mulher acusava o homem de assédio moral alegando que este andava a revelar assuntos da sua vida íntima para envergonhá-la publicamente.
A mesma fonte dá conta que o deputado não terá ficado contente, por isso ele chegou a comentar num “um grupo de quatro ou cinco elementos afectos ao PAICV que o comandante estava a mandar na Calheta e que era urgente tirá-lo do concelho”. “Em Junho passado, José Sanches solicitou em nota uma reunião com o comandante Rosa, para se inteirar das dificuldades da Polícia no concelho. Mas a visita foi usada para atacar o comandante", acusa o denunciante.
“O deputado terá comunicado ao comandante que uma boa parte da população da Calheta queixava-se do trabalho da polícia e que, por essa razão, encaminharia uma reclamação para o comando regional de Santa Catarina, para a direcção da Polícia Nacional e para a ministra da Administração Interna (MAI), Marisa Morais”.
Alguns dias depois desse encontro, Domingos Rosa terá publicado na sua página no facebook um poema intitulado “Politicu dilinquenti”. A fonte que vimos citando revela que José Sanches terá feito uma cópia do poema e enviado à ministra Marisa Morais a quem terá pedido ainda a transferência do comandante.
E o despacho da Direcção Nacional da Polícia não se fez esperar. Foi tornado publico em Junho passado e transferia Domingos Rosa para a direcção de operações e comunicações, nomeando Teotónio Furtado, ex-comandante na esquadra de São Domingos, para assumir o lugar antes ocupado por Rosa. “Vê-se claramente que o comandante foi vítima de uma perseguição política”, acusa a fonte.
A carta de José Sanches
Numa carta enviada à ministra da Administração Interna, Marisa Morais, à qual o asemanaonline teve acesso, o deputado para o círculo eleitoral de Santiago Norte debruçou-se sobre a actuação da Polícia Nacional em São Miguel com enfoque no seu comandante. José Sanches diz que fala em nome da população que, alegou, tem-se queixado dos métodos da polícia local, muitas vezes fora da lei: “Bate não com o bastão mas com as próprias mãos, injuriando os detidos dentro do carro e na rua à frente das pessoas”.
A carta denuncia ainda que os agentes policiais da esquadra de São Miguel consomem altas doses de bebidas alcoólicas nos dias de folga, provocando confrontos com civis. “Intimidam os incautos puxando o revólver”, escreve o deputado. Relata um outro episódio em que Domingos Rosa ter-se-á apoderado do telemóvel de um cidadão, revistado as imagens que estavam no aparelho e acabou por atropelar a lei, detendo um deputado da Nação”.
Lembrando que um deputado nacional, enquanto detentor de cargo político "não pode ser preso uma vez que ele ostenta um cartão que diz isso mesmo. O senhor comandante não sabe que ao sacar um telemóvel de um cidadão que está a invadir a privacidade dele, que ele não pode mexer no telemóvel de ninguém e que as imagens do telemóvel não servem de prova de nada neste país?”, questiona na missiva à ministra.
E continua: “O próprio comandante vai a determinado bar em São Miguel, de noite, fica sentado e quando alguém sai dos bares ou restaurantes, manda os agentes estacionar o carro da polícia atrás dos carros dos civis obstruindo a saída e manda os condutores entrarem no carro para arrancar o motor e ele, de seguida, saca do balão e sem um diálogo prévio acaba por prender os mesmos de forma injusta e humilhante”.
Mas o que mais chocou o deputado José Sanches foi a postura de Domingos Rosa num concurso de beleza masculina realizado na Calheta: “O comandante, que estava como membro de júri, acabou por se levantar e desfilar nu - só com boxers. Foi um escândalo. Até ao dia de hoje muita gente confessa ter perdido respeito pela polícia de São Miguel”. José Sanches garante estar a dar voz à população são-micaelense ao pedir à ministra que averigue as denúncias e tome uma posição urgente.
Domingos Rosa contra-alega
Reagindo à carta de José Sanches, Domingos Rosa saiu em defesa da Polícia Nacional de São Miguel dizendo que desconhece qualquer situação em que os seus agentes se embebedam, provocam distúrbios ou ofendem cidadãos do concelho, moral ou fisicamente em bares ou locais de diversão nocturna.
Domingos Rosa esclarece ainda que o cidadão detido durante a fiscalização de trânsito se tratava do primo do deputado José Manuel Sanches, um tal Emilio. O homem, alegou, ter-se-á recusado a fazer o teste de alcoolemia quando conduzia sob efeito do álcool e a alta velocidade: ”O dito cidadão foi julgado e condenado por um crime de desobediência à autoridade de Polícia de São Miguel”, reforça.
Sobre o desfile num concurso de homem mais bonito de São Miguel, Domingos pediu que José Sanches prove se chegou a desfilar “nu – só com boxer”. Quanto à detenção de um deputado, o comandante diz só ter tido conhecimento de que o cidadão se trata do deputado Osvaldino Ferreira, “cunhado de José Sanches” depois de este ter apresentado a sua identificação na esquadra. "Ao constatar ainda que em celular deste não constava nenhuma imagem, o deputado foi imediatamente dispensado”, refere Domingos Rosa na sua carta.
O subcomissário da PN termina dizendo que a Polícia de São Miguel tem sabido responder “positivamente” às necessidades de segurança da esmagadora maioria da população. E o trabalho da esquadra e dos seus agentes, garante, tem merecido reconhecimento por parte da população e de várias instituições do concelho, entre elas, o Governo. Dai que, defende, as críticas de José Manuel Sanches não passam de “inverdades” que lhe foram transmitidas por “quatro pessoas bem identificadas que têm laços de estreita amizade, pessoais e de parentesco” com o deputado que os apelidou de “população”.
Domingos Rosa e José Sanches reagem
O asemanaonline contactou o comandante da esquadra de São Miguel, que confirma ter recebido a visita do deputado José Sanches. Conta que Sanches lhe entregou uma cópia da carta em que expunha um conjunto de situações envolvendo a Polícia, comunicando-lhe que enviara um exemplar à Direcção Nacional, ao MAI e ao Comandante regional de Santa Catarina. Domingos Rosa diz estar a aguardar o desfecho de um inquérito de averiguações mandado instaurar pelo MAI, pelo que não pode dar detalhes sobre o caso.
Por sua vez, o deputado José Sanches, instado a pronunciar-se sobre o conteúdo da carta que enviou às várias entidades do Estado, é peremptório: “Não confirmo nem desminto”. Sanches reforça que desconhece qualquer carta com a sua assinatura e tampouco sabe se o comandante foi transferido.
Sem comentários:
Enviar um comentário