sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

SUSTENTABILIDADE do transporte MARÍTIMO em vias de se tornar REALIDADE em 2015

O decreto-lei que define as bases de um novo sistema de transportes marítimos inter-ilhas em Cabo Verde, a partir de Janeiro de 2015, está pronto para ser aprovado no Conselho de Ministros, disse hoje à Inforpress fonte ministerial.

“Neste momento, estamos a depender da aprovação deste decreto-lei no Conselho de Ministros para podermos avançar com o lançamento dos concursos”, informou o coordenador do estudo para a organização do serviço público de transportes inter-ilhas, Anastácio Silva.

Cabo Verde deverá ter um novo sistema de transportes marítimos inter-ilhas a partir de Janeiro de 2015, altura prevista para a assinatura do contrato de concessão com os operadores.

No final da apresentação de um estudo para a organização do serviço público de transportes inter-ilhas, Anastácio Silva disse que o documento encoraja o Governo a reestruturar todo o sistema de transportes marítimos inter-ilhas no país.

Segundo o também assessor para área de Planeamento Estratégico do Ministério das Infraestruturas e Economia Marítima (MIEM), neste momento, está-se a trabalhar para que no início do próximo ano o Governo tenha as condições de assinar o contrato de concessão com os operadores do sector dos transportes marítimos.

O estudo encoraja o Governo no sentido de apoiar a reestruturação de todo o sistema de transportes marítimos inter-ilhas, que passa pela modernização das frotas, munir o sector de um sistema sustentável de financiamento, criação de grupos de concessões e a organização das bases logísticas de mercadorias.

Com o novo sistema, o estudo propõe dois grupos de concessões: Um que, em princípio, será liderado pela Cabo Verde Fast Ferry e outros operadores interessados e o segundo, que seria constituído pelos operadores do norte.

O estudo aconselha a criação de três centros logísticos, nomeadamente na Praia, em São Vicente e no Sal que vão ser geridos através de concessão.

Este estudo indicou Anastácio Silva, propõe também a criação de um fundo autónomo de desenvolvimento de transportes marítimos que vai apoiar os operadores na aquisição das embarcações com idade máxima de 15 anos, nas reparações, entre outros aspectos.
Anastácio Silva sublinhou, entretanto, que o estudo apresenta um conjunto de constrangimentos “que é preciso atacar para que o país possa ter um verdadeiro sistema de transportes inter-ilhas”.

Empresas com sistema de gestão ineficiente, sem contabilidade montada, nem gestores profissionais, incumprimento dos horários, são entre outros constrangimentos do sector apontados pelo estudo.

A intenção do Governo é trabalhar com os armadores nacionais neste projecto, não sendo possível, pode-se abrir o concurso internacional, frisou, sublinhando que o novo modelo de transportes inter-ilhas é uma oportunidade que o Estado está a colocar em cima da mesa para os armadores.

Em termos de vantagens, disse que os armadores vão ter a concessão da exploração das rotas “por um bom tempo” e receberão a compensação no caso de défice de exploração.
O coordenador do estudo informou também que, independentemente do concurso internacional, o estudo permite que o capital social da concessão tenha participação do estrangeiro.

Durante a apresentação, Anastácio Silva sublinhou também que o governo vai exigir que as sociedades cumpram um conjunto de requisitos, nomeadamente a qualidade de frota, o número de embarcações e a capacidade de assegurar que os horários estabelecidos sejam cumpridos.

Na ocasião, o coordenador do estudo explicou que com o novo sistema “os operadores terão de cumprir rigorosamente os calendários de manutenção, de reparação, critérios de segurança, transparência dos preços, manter horários regulares e garantir os direitos dos utilizadores dos serviços dos transportes”.

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