Há os filmes de
Natal institucionais, os clássicos da quadra que toda a gente viu, e depois há
os outros, os que escapam às convenções do género e às vezes até as voltam do
avesso.
Escolhemos dez
filmes menos convencionais, ou mesmo totalmente surpreendentes, de Natal, entre
“westerns”, comédias satíricas ou negras e até fitas de terror passadas no
Natal, vindas dos EUA mas também de França ou da Finlândia.
Quando se fala
em filmes de Natal, saltam à cabeça sempre os mesmos, os que aparecem nas
respectivas listas, que toda a gente que gosta minimamente de cinema viu ou
pelo menos conhece, que (ainda) vão passando nas televisões, nem que seja na
quadra em que se ambientam e celebram. São “Do Céu Caiu uma Estrela”, “Natal
Branco”, “Sozinho em Casa”, as muitas versões de “Um Conto de Natal”,
inclusivamente a dos Marretas, “O Estranho Mundo de Jack”, “até mesmo “Assalto
ao Arranha-Céus”, entre muitos outros.
Mas desta vez,
propomos recordar dez títulos natalícios diferentes, que fogem, cada qual à sua
maneira, às normas e às expectativas daquilo a que se convencionou ser o “filme
de Natal”, e até as dinamitam.
“Os 3
Padrinhos”
Um filme de
Natal sob forma de “western”, sem neve, sem Pai Natal nem árvore decorada e com
presentes, mais mais profundamente natalício e cristão do que a maior parte dos
títulos que se reivindicam desta quadra. John Wayne, Pedro Armendariz e Harry
Carey, Jr. interpretam três fora-da-lei que assaltam um banco e fogem para o
deserto. Lá, encontram uma mulher moribunda que acabou de ter um bebé, e
prometem-lhe proteger a criança e salvá-la.
“Veneno de
Cobra”
Mais uma
variante sobre a história dos Reis Magos, assinada por Michael Curtiz. Humphrey
Bogart, Peter Ustinov e Aldo Ray são condenados que conseguem fugir da prisão
da Ilha do Diabo. Decidem roubar uma loja para terem dinheiro para comprarem
roupas, comida e passagens de barco, mas após serem acolhidos pelos membros da
trabalhadora e generosa família que a explora e lá vive, e com a qual partilharam
a ceia de Natal, resolvem ajudá-la.
“O
Apartamento”
Adultério,
suicídio, bebedeiras, cinismo, pulhice, hipocrisia. Palavras para quê, é um
filme de Natal de Billy Wilder, ainda por cima uma comédia. Jack Lemmon
interpreta C.C. Baxter, um modesto funcionário de uma grande companhia de
seguros de Nova Iorque, que empresta o seu apartamento aos executivos da
empresa para que eles possam estar com as suas amantes.
“Santa Claus”
Esta fita
infantil deliciosa e insondavelmente má aparece em todas as listas dos Piores
Filmes de Todos os Tempos, e transformou-se num título de culto, sendo
regularmente exibida nas televisões dos EUA e em ciclos variados dedicados aos
“grandes maus filmes” da história do cinema. Como em Marte não há Natal, os
marcianos (que são verdes, apesar de viverem no Planeta Vermelho) vêm à Terra,
rumam ao Polo Norte e raptam o Pai Natal e duas crianças, para também terem
direito às festas natalícias.
“Férias
Assombradas”
O título
original, “Black Christmas”, é muito mais sugestivo do que o português.
Considerado um dos primeiros, senão mesmo o primeiro “slasher movie”, onde um
assassino psicopata de contornos sobrenaturais mata jovens em série, “Férias
Assombradas” passa-se no Natal, numa república de estudantes universitárias,
que são mortas violentamente por um estranho que antes as assedia e aterroriza
pelo telefone. Nos papéis principais deste filme natalício bem carregado de
terror, encontramos Keir Dullea (de “2001: Odisseia no Espaço”), Olivia Hussey,
Margot Kidder e o veterano John Saxon no polícia que investiga o caso.
“Rare
Exports”
E se o adorado
Pai Natal, fosse na verdade mau como as cobras, um verdadeiro ogre, um raptor
de crianças, e os seus duendes criaturas que espalhassem o terror em seu redor?
Em “Rare Exports”, o finlandês Jalmari Helander esmera-se a contar a história
do mais tenebroso segredo de Natal, que se torna conhecido após um achado
arqueológico numa montanha da Finlândia.
“Ricos e
Pobres”
Uma das grandes
comédias natalícias de sempre. Um vigarista de rua (Eddie Murphy) e um rico e
snobe corretor (Dan Aykroyd) vêem as suas posições sociais invertidas em plena
quadra de Natal, devido a uma aposta entre dois velhos e desapiedados
milionários (Don Ameche e Ralph Bellamy).
“Um Conto de
Natal”
Nada como o
cinema francês para nos posicionar com firmeza na realidade. No caso de “Um
Conto de Natal”, Arnaud Desplechin põe-nos dentro de uma família média francesa
reunida no Natal por causa da sua matriarca (uma imponente Catherine Deneuve),
que descobriu que precisa de um transplante de medula.
“Pai Natal:
Sarilhos”
Esta farsa
satírica teve origem numa peça de teatro do grupo Les Bronzés, onde se
revelaram nomes como Christian Clavier, Michel Blanc, Gérard Jugnot, Thierry
Lhermitte ou Josiane Balasko, que formaram a nova geração de actores cómicos
franceses dos anos 70 e 80. A história passa-se na véspera de Natal e envolve
dois voluntários de uma linha telefónica anti-suicídios, eles próprios muito
neuróticos, que se vêem a braços com uma série de personagens que os visitam,
desde um vizinho búlgaro péssimo cozinheiro até um delinquente irritante que se
disfarçou de Pai Natal.
“O Anti-Pai
Natal”
Terry Zwigoff,
autor do documentário “Crumb”, realiza esta comédia cheia de espírito
anti-natalício, que no final acaba por não resistir aos bons sentimentos da
quadra. Mas até lá, é tudo a partir. Jack Nicholson esteve mesmo para
interpretar o papel que acabou para ir para Billy Bob Thornton, o de um
vigaristazeco bebedolas e desconchavado, que se emprega num centro comercial
como Pai Natal, para depois o poder assaltar na noite da consoada.

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