A demora na queda da chuva em quantidade suficiente, este ano, está a ditar a ruptura de pasto para os animais em vários concelhos do arquipélago. Os criadores, de norte a sul, estão preocupados com a situação. A solução, segundo um técnico da área, passa por diminuir o número de crias.
Na ilha Brava, por exemplo, já há registo da morte de animais, particularmente nas localidades de Cachaço e Ponta Achada, devido à falta de pasto. Conforme a delegada substituta do MDR na ilha, Cezinanda Martins, vários criadores estão sem pasto para os seus animais, uma vez que não fizerem a recolha para a conserva no tempo oportuno.
E agora, com a demora na queda da chuva em quantidade para fazer germinar as plantas nas zonas áridas de pastagens, os criadores estão a passar por sérias dificuldades.
"Muitos criadores, que estão habituados a criar animais soltos, não fizeram a colheita do pasto e agora estão a enfrentar problemas. Mas também temos informação que alguns animais estão a morrer de fome por causa de descuido dos próprios criadores que estão a demorar em alimentar os seus animais”, admite Cezinanda Martins.
No entanto, aquela responsável avança que, neste momento, nas zonas altas da Brava, o pasto está a crescer a bom ritmo, e caso houver mais chuva em Setembro a situação pode melhorar.
Em Santo Antão, no concelho do Porto Novo, há também notícias de que centenas de animais já morreram em algumas zonas devido à escassez de pasto.
Já em Santiago a situação é um pouco mais estável, aqui graças à boa produção de pasto registada no ano passado. Mesmo assim, os criadores estão também apreensivos com o cenário agrícola que se desenha. Para todos os efeitos, nesta ilha, já vamos a meio de Setembro, período normalmente mais chuvoso e ainda, este ano, nem o pasto está garantido. E há certas regiões de pastagem (Achada Leite, Achada Banana, Selada, Ribeirão Chiqueiro etc.) que ainda nem sequer a erva nasceu.
Lourenço da Veiga, um criador de gado bovino em Santa Catarina, confirma que a situação é preocupante e já pensa em diminuir a sua cria. "Tenho sete cabeças de vaca, mas, apesar de ter recolhido e comprado muita palha no ano passado, já estou praticamente sem nada para alimentar os animais. E para a semana vou vender alguns antes de emagrecerem ainda mais. Não vou poder sustenta-los uma vez que o ração está muito caro no mercado”.
Conforme o director do Serviço Pecuário do MDR, João Fonseca, a falta de pasto nesta altura do ano é normal, dada a demora na queda das chuvas. "Temos conhecimento que em algumas zonas já há registos de mortes de animais por falta de pasto, nomeadamente em Cachaço (Brava) e Porto Novo (Santo Antão), que são casos clássicos. Mas todos os anos, quando há excedentes de pasto, aconselhamos os criadores a recolherem o máximo de palha possível. Infelizmente, não o fazem no pressuposto de que o ano seguinte vai ser melhor e, às vezes, se enganam. Pelos vistos, é o que está a acontecer".
João Fonseca diz que a solução, por agora, passa pela redução das crias. "Temos estado a aconselhar os criadores a diminuírem a quantidade de cabeças antes de os animais ficarem desnutridos e magros, o que leva à perda do preço”, conclui.
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